Política
Chega acusa Aguiar-Branco de "defender a podridão do sistema político"
André Ventura falou esta tarde a partir do Parlamento para deixar fortes acusações ao presidente da Assembleia da República (PAR) a propósito de novo chumbo da tentativa do Chega de convocar uma comissão de inquérito ao ministro da Administração Interna, Luís Neves.
André Ventura pediu uma reunião com o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, para discutir a decisão do PAR de não permitir a comissão de inquérito a Luís Neves proposta pelo Chega.
O líder do Chega quer falar com Aguiar-Branco antes de decidir alterar a proposta ou mesmo recorrer da decisão.
Ventura acusou o presidente da Assembleia da República de estar "sequestrado pelo medo" e acusou-o de ser agora parte "daqueles que querem defender a podridão do sistema político".
"Lamento dizê-lo assim, mas vou dizê-lo: hoje, o nosso presidente da Assembleia da República entrou no rol daqueles que continuam a defender a podridão do sistema político em que vivemos e a podridão do sistema institucional que está instalado em Portugal".
André Ventura convocou os jornalistas ao Parlamento para explicar o porquê da proposta inicial de uma comissão poptestativa, ao invès de um pedido de uma comissão parlamentar de inquérito dita normal.
Justificando o porquê da natureza potestativa da comissão sugerida pelo Chega, Ventura disse que "o PS e o PSD nunca permitiriam em comissão de inquérito normal que fosse aprovado um inquérito a Luís Neves" não obstante os factos e as suspeitas, "mesmo perante a evidência da interferência política permanente e evidente".
"Se isto não fosse investigado de pouco serviria ter um órgão de escrutínio em Portugal", lamentou.
O líder do Chega lembrou que "Aguiar-Branco bloqueou a comissão de inquérito e exigiu que o objecto fosse suficientemente limitado e suficientemente clarificado para não ficar no ar a ideia de que queríamos investigar tudo".
Ventura admite que o partido poderia ter optado por "fazer um recurso normal, banal, porque esta resposta não era assente na lei, mas optámos pelo contrário e responder a muitas das questões que o PAR tinha levantado: delimitámos o objeto da comissão, os mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária, demos exemplos de suspeitas reais que existem sobre a conduta de Luís Neves, para que não fique no ar nenhuma abstração, e deixámos claro qual era o âmbito da investigação da comissão de inquérito".
Lamentou por isso que Aguiar-Branco tenha já hoje "bloqueado novamente o requerimento potestativo do Chega", acusando o PAR de alinhar com "aqueles que defendem a podridão do sistema".
"A atitude de Aguiar-Branco degrada ainda mais as instituições porque levanta a suspeita ainda maior dando a ideia de que para lá dos partidos também a Assembleia da República está sequestrada com medo de investigar em relação a Luís Neves (...) uma atitude de proteção de amigos ou de interesses partidários".
Anunciou assim a intenção de pedir uma "conversa prévia" a Aguiar-Branco e só depois decidir se insiste na proposta de uma comissão: "Eu decidi que era importante ter uma conversa prévia com o Presidente da Assembleia da República, conversa que pedirei que ocorra durante o dia de hoje ou durante o dia de amanhã [quinta-feira], para depois tomar uma decisão sobre o que fazermos em relação a esta matéria".
"Penso que antes de qualquer atitude mais politicamente firme, devemos perceber o que é que motiva uma decisão destas", apontou Ventura, anunciando uma reunião com a liderança do Grupo Parlamentar antes de tomar uma decisão.
c/ Lusa